O dia 01/04/2011 vai ficar na história de Belém do Pará, pois afinal de contas foi o dia mais esperado do ano e para roqueiros, headbangers, apaixonados por heavy metal e tudo quanto é tipo de denominações para os amantes do rock. Foi o dia em que Belém se tornou a capital mundial do Heavy Metal, pois nada mais nada menos que os embaixadores do metal tocaram aqui. Enfim a cidade recebeu uma grande banda de Metal, o todo poderoso Iron Maiden.
Para quem não gosta pode não representar nada, afinal de contas é apenas mais uma banda de rock a tocar na cidade, mas para quem curte, foi HISTÓRICO.Um sentimento inexplicável, pois para muitos, como eu, aqueles caras representavam heróis, representavam aquela rebeldia de adolescente, um tempo que ouvir rock era ATITUDE. Um tempo onde ouvir heavy metal era ir de contra aos bons costumes, um tempo onde andar vestido com camiseta da banda te taxava de doido, anormal. Mas para toda essa legião de pessoas a sua sede foi saciada no dia 1º de abril, dia da mentira, mas o que aconteceu nesse dia foi a mais pura realidade.
Lembro-me, que a um ano atrás quando ouvi o, até então boato, que a Donzela de Ferro viria à Belém, eu não acreditei, e ainda com o agravante da data, 1º de Abril, pensei que era brincadeira, mas para a minha felicidade, e para milhares, não era.
A tarde estava chuvosa, e uma legião de pessoas vestidas de preto esperava desde cedo na frente do Parque de Exposições do Entroncamento, lugar onde iria acontecer o evento do ano. O portão estava previsto para abrir às 17 horas, mas foi aberto com uma hora de atraso, nada que tirasse o entusiasmo das pessoas.
Quando entramos foi aquele sufoco habitual, todos queria chagar mais próximo do palco. Não importava se estavam na área vip, camarote ou pista, todos procuraram o melhor lugar para ver o espetáculo. Claro que não se compara o bem estar vivido pelo pessoal do camarote e, em menor proporção, do camarote com a luta frenética dos guerreiros da pista. Mas apesar de toda a labuta foi incrível.
Depois de uma hora o Stress abre o show, e nada mais merecido para os caras que foram pioneiros do metal no Brasil, abrir para a maior banda de heavy metal do planeta. Foi mais ou menos uma hora a apresentação dos precursores paraenses. Músicas como Mate o Réu e Coração de Metal embalaram a galera que lotava o Cidade Folia. O Stress finalizou a sua memorável apresentação por volta das 20:10. Agora era só esperar para ver finalmente a maior banda de Heavy Metal da atualidade.
A espera ia se tornando uma verdadeira via crúcis, e o tempo ia paulatinamente aumentando a expectativa, a paciência estava prestes a esgotar, 50 minutos se tornaram 50 longos anos, mas faltava pouco, logo estaríamos apreciando a magia que aqueles seis gringos carregavam em seus instrumentos.
Depois de várias músicas tocadas no playback, ouço Doctor Doctor do UFO, eu sabia era essa a deixa o maior espetáculo que Belém já viu ia começar. As luzes se apagaram, no telão imagens desconexas, embaralhadas enfeitiçavam a multidão. O show havia começado de repente eis que eles surgem fazendo o público gritar em frisson. O povo delirava em puro êxtase, foi um misto de sonho e loucura, mas foi sensacional.
O primeiro riff, a primeira batida, a primeira nota vocal, tudo era mágico, de outro mundo, nem dava para imaginar que Bruce Dickinson, Dave Murray, Adrian Smith, Janick Gers, Steve Harris e Nicko McBrain estavam ali bem diante (não tão diante assim) dos meus olhos.
Enquanto a primeira música era entoada pelo Maiden, demorou a cair à ficha, eu estava mesmo vendo aqueles caras que durante muito tempo, junto com o Metallica, fomentaram o meu sonho de ter uma banda de Rock. Após a épica entrada foi a vez de todo mundo se entorpecer ao som de Fear Of The Dark. Não sei bem a ordem do set list, mas isso importa? Só sei que os maiores clássicos foram tocados: The Trooper, The Numbre Of The Beast, Running Free, Blood Brothers e etc.
Após o término do espetáculo, eles se despediram jogaram coisas para o público e foram embora. E assim acabou um dos momentos mais especiais da história do rock da cidade das mangueiras e da minha vida também.
O show acabou cedo, por volta das 23 horas. A multidão se retirou em estado de êxtase, todos com semblantes de deslumbramento. Um momento na vida de cada um que eu tenho certeza que não irá se apagar. Se em uma palavra eu puder descrever a experiência posso dizer que foi transcendental.
Eu só espero que os organizadores tenham notado o sucesso que foi o evento e tragam outras grandes bandas para cá. Mas agora se eu for, vou de front stage.
Valeu Donzela de Ferro!
Imagem do topo foi retirado do blog Centro de Memória da Amazônia




