Grandes Comunicadores: Rock N’ Roll

Chuck Berry um dos pioneiros do Rock 'n' Roll.

Chuck Berry um dos pioneiros do Rock ‘n’ Roll.

Rock

Neste artigo não abordarei a obra comunicacional de um indivíduo, tentarei fazer um breve apanhado da relação do Rock com a comunicação e como ele ajudou a mudar não só os rumos da indústria fonográfica, mas também como foi determinante na construção da sociedade contemporânea.
Todo mundo sabe (ou deveria saber) o poder que música possui como instrumento de comunicação. Através dela pode-se transmitir mensagens, passar idéias, propagar conceitos e valores e etc. E sem dúvida nesses quesitos nenhum gênero musical se iguala ao rock.
O rock influenciou e influencia até hoje estilos de vida, moda, atitudes e até a linguagem.

A galera balançando no ritmo alucinante do rock 'n' roll.

A galera balançando no ritmo alucinante do rock ‘n’ roll.

E ele já nasceu revolucionário, causando impacto em questões sociais, basta analisar o cenário no qual apareceu. O rock (rock ‘n’roll como era chamado na época) surgiu em meio a fortes tensões raciais nos Estados Unidos. Os negros norte-americanos protestavam contra a segregação em instituições de ensino e instalações públicas. O surgimento de um estilo musical que mesclou elementos da música negra e da branca provocou fortíssimas reações na conservadora sociedade americana.
E logo após o seu nascimento o rock ‘n’roll mostrou o seu lado de transformador social quando colocou negros e brancos para dançar no ritmo alucinante da música, ajudando assim a diminuir o preconceito no racista Estados Unidos dos anos 50.
Artistas negros como Chuck Berry (que para muitos é o verdadeiro rei do rock), Little Richard ,entre outros ganharam popularidade entre a audiência branca, algo até então impensável.
Antes do rock ‘n’roll a música era categorizada por raça, nacionalidade, localização, instrumentação, técnicas vocais e até mesmo religião. Mas com o espetacular sucesso de Elvis Presley em 1956 o gênero se tornou a menina dos olhos da indústria musical da época fazendo cair por terra a categorização até então vigorante.

E o lado transformador do rock não parou nos anos 50. Na década seguinte ele ajudou a causa do movimento dos direitos civis nos EUA. Também foi ícone da contracultura e do movimento hippie, sem contar a forte oposição que fez a guerra do Vietnã.

Bob Dylan ícone das canções de protesto.

Bob Dylan ícone das canções de protesto.

Nesse período o cantor e compositor Bob Dylan ficou famoso com as sua fortes canções de protesto que abordavam temas sociais e políticos numa linguagem poética, a música “Blowin’ In The Wind” se tornou hino do movimento dos direitos civis. Sem falar da Beatlemania, que transformaria o rock em um fenômeno global dando início ao que depois se chamaria música pop. E não podemos esquecer de Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Animals, Yardbirds, e vários outros artistas que influenciam até hoje a música.

Sex Pistols,Punk Rock na veia.

Sex Pistols,Punk Rock na veia.

Na década de 70 um grito alto e com raiva tomou conta primeiramente da Inglaterra e depois do mundo, era o Punk Rock, um estilo que abordava questões políticas e sociais, tais como desemprego, pobreza e a vida urbana. Com o claro objetivo de chocar abertamente o sistema e os costumes britânicos a banda Sex Pistols em alto e bom som tocava a irônica “God Save The Queen” e a contestadora “Anarquy In The Uk”. E com uma atitude “faça você mesmo” esse movimento deixou um enorme legado para as próximas gerações que vai muito além da música.
Aí veio os anos 80 e o uso massivo dos sintetizadores, a popularização de bandas como U2, The Police, Duran Duran e várias outras, e nascimento da MTV (emissora que popularizou os vídeo- clipes e redefiniu os rumos da promoção de artistas e de bandas). Aqui em terras tupiniquins foi nessa época que o rock se popularizou, misturado o gênero com ritmos daqui, o rock brasileiro criou uma identidade única, apresentou-se ousado, contestador e multifacetado. Bandas como Legião Urbana e Plebe Rude abordavam temas sócio-políticos e Cazuza (ex- Barão vermelho) falava da decadência da política, e foi ele o primeiro artista brasileiro a declarar publicamente que era soropositivo, ajudando assim a criar consciência em relação à doença e os efeitos da AIDS. E ainda tem o irreverente Ultraje à Rigor, o pós-punk Ira!, os paulistas do Titãs e muitas outras que ajudaram a propagar o gênero por aqui.
Com letras sarcásticas e depressivas do grunge fazia a cabeça da galera no começo dos anos 90, temas como apatia, tédio, confinamento, introspecção, desejo pela liberdade e alienação social eram os mais freqüentes. O grunge se difundiu rapidamente por falar o que os jovens dessa geração sentiam, possuía um aspecto desafiador, despreocupado e antagônico a cultura pop da época. O grunge (que alguns dizem ser o último grito do rock) era a música dos oprimidos, pessoas que repudiavam a popularidade, a beleza artificial, o consumismo exagerado e etc.

O Rappa uma banda engajada

O Rappa uma banda engajada

E hoje? De fato o rock perdeu muito da sua força e do seu caráter social, mas, ainda existem bandas que além de passarem mensagens conscientes na sua música usam sua influencia como personalidades famosas para ajudarem na construção de uma sociedade melhor. Podemos destacar o caso da banda irlandesa U2 e dos armeno-americanos do System Of A Down, aqui no Brasil é a banda O Rappa que levanta a bandeira do engajamento social.
E não podemos deixar de ressaltar a sua importância no campo da comunicação, um estilo musical que nasceu no submundo, nasceu de um povo marginalizado que precisava gritar alto para ser ouvido, um tipo de música que se firmou como o canalizador das idéias contestatórias dos jovens, frente à insatisfação com o sistema cultural, educacional e político. E o rock é o ritmo que dita esse tipo de comportamento até hoje.
Viva o rock baby. Rsrsrs.

Valeu galera!!! Até a próxima.

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Publicado em Mentes Notáveis

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