O cãozinho, redes sociais e os nossos tempos.

Semana passada um vídeo chocou o Brasil. Atravessou o país, virou viral e fez com que milhares de pessoas se indignassem com os atos de violência executados por uma enfermeira à um pequeno cãozinho da raça Yorkshire.

Durante uma semana mensagens de ódio e indignação tomaram conta do meu mural no Facebook, eu mesmo senti uma raiva mortal por aquela mulher. Sou um amante de cães e sei como estes animais são especiais, e mesmo que não gostasse ficaria indignado com tal monstruosidade, pois nada justifica a violência, mesmo contra animais.

Porém o mais curioso disso tudo foi a velocidade como se espalhou pela rede. Muitas pessoas ficaram revoltadas com a situação e algumas outras revoltadas com os revoltados. De repente um exército de falsos engajados também surgiu, dizendo que se as pessoas tivessem o engajamento político semelhante ao engajamento causado pela morte do cãozinho o Brasil seria um país diferente.

O fato é que vivemos em um mundo diferentemente igual aos de antes. Nossos pensamentos se transformam em passos lentos, porém, as novas ferramentas expõem nossos atos de maneira instantânea. Com uma câmera digital e a rede social, um caso que seria mais um entre os tantos sobre maus tratos à animais, ganhou exposição gigantesca. Hoje ser um anônimo não é mais uma posição confortável. Todos somos vigiados e nossos atos não são mais tão sigilosos assim. Essa enfermeira teve que mudar de casa, pois estava sofrendo ameaças, algumas de morte. Do anonimato a uma infame fama repentinamente.

A verdade é que muitas coisas foram ditas, mas será que realmente isso muda alguma coisa? Será que os nossos lampejos de ódio escritos e espalhados em uma rede social vai mudar algo? Será que estamos mais engajados por que escrevemos frases politizadas em nossas timelines?

Essa mulher certamente está pagando pelo que fez. Sua vida já está destruída. Saiu de casa, perdeu a paz, a carreira sofreu forte abalo e ela ainda pode perder a guarda da filha. E eu não sinto a mínima pena. Mas não podemos resolver com violência outro ato de violência. Não podemos pensar em outra saída que não seja a por meios legais. Cobrar justiça é preciso, mas é desnecessário fazer justiça com as próprias mãos.

No blog do meu amigo Jadão (Blog do Jadão), ele diz que todos nós somos formadores de opinião neste novo mundo conectado, e é verdade. Toda vez que escrevemos conteúdos irados, influenciamos de certa forma os outros que integram a nossa rede.

Neste novo mundo, não tão novo assim. Temos que pensar que a evolução não é apenas tecnológica, mas que deve ser acima de tudo uma evolução social e civilizada.

Cuidado com as nossas paixões!

Abaixo a entrevista com a enfermeira. Notem que ela diz que só foi ter noção do ato depois  que o vídeo foi parar na Internet. De anônima à criminosa odiada.

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Publicado em Mundo

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