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Vida de Pi: Plágio ou coincidência.

Vida de Pi: Plágio?

“Nada se cria, tudo se copia”, já ouvi várias pessoas parafraseando o célebre Chacrinha. Na boa, essa frase até tem um pingo de verdade, mas o grande problema é ver que para muita gente essa frase chega a ser um mantra, um dogma, e isso para mim é desculpa de incapaz. A verdade é que hoje vemos que a originalidade, a criatividade são conceitos valorizados, mas difíceis de serem seguidos pela maioria. Por isso muitas vezes é mais fácil copiar o que dá certo, do quê se arriscar em algo original que tem probabilidades de dar errado.

É verdade, não se cria do nada, mas existe uma grande diferença entre cópia e referencial. Qualquer ideia precisa de uma referência, de um ponto de partida, mas não quer dizer que seja uma cópia. Muitas vezes se reutiliza uma ideia, mas dá-se a ela novos contornos, ou seja, a ideia original se transforma em algo novo. Este tipo de processo é muito usado na publicidade, que se abastece, por exemplo, das artes para cria algo novo. Vemos neste exemplo que não se trata de cópia, mas sim de uma readaptação de ideia, ou seja, a nova ideia parte de uma referência (artes) para criar algo novo (anúncio ou campanha).

A cópia é algo mais descarado, é mais a mostra, a cópia possui poucas diferenças da original. Para facilitar vamos usar um exemplo fácil: o Superman foi criado tendo como referência os heróis da mitologia grega e os lutadores de luta livre do começo do século XX, porém foi algo novo, único, original. O homem de aço foi também o referencial para a criação de outros super-heróis, não que estes sejam necessariamente cópias do Superman, pois cada um tem a sua história e a sua origem. Mas ainda tomando as HQs como exemplo, vemos muitos casos de cópias: como o mercenário Deadpool(Marvel) que é a cópia do Slade (DC), Aquaman(DC) cópia do Namor (Marvel), entre muitos outros. Usei as HQs como exemplo, mas a cópia pode ser observada em vários outros campos da cultura e do conhecimento: da música à publicidade, do cinema à literatura, da TV à Internet, etc.

Seria cômico se não fosse trágico, mas em algumas instituições e empresas que deveriam levantar a bandeira da criatividade e da originalidade, a prática da cópia é comum. Estagiei em algumas empresas antes de me formar, em duas delas (duas agências de propaganda) pude ver com os meus olhos que a prática da cópia é mais comum que imaginamos. Era orientado a “pegar como inspiração” anúncios da Internet, ou seja, me contaminar com as ideias dos outros, prática que sempre fui contra. Pra mim a criação deve partir das minhas referências e depois que vou acrescentando ou comparando com outras ideias, para assim concluir a criação, deste modo a criação é mais original e não se contamina com a ideia de terceiros.

Às vezes ideias parecidas acontecem, não se tratando de cópia, sendo apenas coincidências, mas muitas vezes pessoas de má fé se apropriam da criação dos outros e não dão os créditos aos verdadeiros donos.

Temos que valorizar a criatividade e a originalidade, pois em nosso mundo competitivo, tais valores diferenciam empresas, instituições e pessoas. Criatividade não é dom de poucos, por isso, o desuso dela não deve ser encorajado e nem justificado. Quem copia a ideia alheia assina seu atestado de incapaz.

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Publicado em Criatividade, Mundo, Pensamentos

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