A politicagem nas empresas

politicagemPrimeiro é importante definir o que é politicagem: Ao contrário da política que tem como objetivo promover o bem comum, a politicagem é o oposto, ou seja, seu objetivo é promover interesses pessoais ou troca de favores em proveito próprio.

É importante dizer também que esse artigo não se refere à politicagem envolvendo negócios ilícitos, ou esquemas de corrupção, na verdade esse artigo tem o objetivo de abordar a politicagem dentro da empresa, seus colaboradores e gestores.

Apesar de não ser um Max Gehringer da vida e nem uma espécie de guru da carreira no meio empresarial, muita gente me aborda e fala sobre esse tema comigo, eu mesmo em várias empresas que passei, já presenciei ou sofri por causa desse tipo de situação e é lamentável uma organização sofrer com isso.

Na politicagem perde quase todo mundo, muitas vezes até quem leva proveito dela perde. Ela diminui o comprometimento dos colaboradores, repele talentos, cria um ambiente de pouca (ou quase nenhuma) inovação e criatividade, coloca pessoas erradas em cargos errados, e lógico que isso vai refletir na saúde financeira do negócio. O pior de tudo é que muitas vezes esse tipo de atitude surge de quem não deveria, ou seja, a liderança da empresa.

Trabalhei em uma empresa que começou muito bem, em pouco tempo já estávamos conseguindo resultados animadores, muito acima do solicitado. Neste começo vi uma equipe como poucas que eu vi na vida, extremamente competente e comprometida. Todos ajudavam todos e eramos unidos demais. Mas esse ambiente favorável ao trabalho e aos resultados duraria por pouco tempo. Com o passar do tempo e aprofundamento das relações, logo o que acontecia fora da empresa se refletia dentro dela. Quem tinha maior afinidade ou parentesco com a chefia (gerentes, coordenadores e supervisores) tinha maiores chances de crescer na empresa. Os processos seletivos eram grandes teatros, pois internamente, através do conchavo, as vagas já tinham sido preenchidas. E eu que, sem modéstia, me destaquei trabalhando, batendo metas e melhorando os setores por onde passei nunca tive uma oportunidade.

Pode até parecer dor de cotovelo, mas era um cenário real. Tão real que nos primeiros processos seletivos eu fui unanimidade entre os participantes do processo, porém não fui escolhido, e o pior, todo mundo na empresa já sabia quem preencheria a vaga. Claro que não com base só na competência.

O reflexo disso? A equipe começou a perder rendimento, as metas deixaram de ser batidas e muitos colaboradores talentosos saíram da empresa procurando algo melhor. Do outro lado, as pessoas que foram escolhidas nos processos seletivos eram próximas da chefia. Saiam juntos para festa, dormiam juntos, bebiam juntos e todo o tipo de relação que você possa imaginar. Dentro da empresa o clima começou a pesar, ninguém mais se ajudava como antes, na hora do intervalo só se comentava sobre o relacionamento da liderança, enfim, criou-se uma cultura antiprofissional encabeçada pela chefia.

O negócio ficou pior quando o primo de uma supervisora e namorado da gerente de RH foi promovido a supervisor interino quando um dos supervisores entrou de férias. Todos sabiam que ele não tinha a menor condição de ocupar o cargo, não tinha inteligência emocional para isso, e certa vez chegou até a agredir fisicamente outro colaborador, e mesmo assim ele chegou a ser promovido e “liderar” uma equipe de 15 pessoas. Pra piorar a situação, o indivíduo que foi promovido estava envolvido em um esquema de desvio de dinheiro e causou um prejuízo gravíssimo para a empresa.

Mesmo assim, com a situação do desvio, a chefia continuou fazendo essa prática e a empresa fechou poucos meses depois.

Esse é o depoimento de um amigo. E que é o retrato de muitas empresas por aí, e muitas vezes o fim é o mesmo.

Quando se cria uma cultura de favorecimentos e privilégios ilícitos em uma empresa, não se demora muito para a percepção dos colaboradores ser a pior possível. Neste tipo de cenário não há referências e nem valores para acreditar e a empresa vai sendo implodida. Os líderes que aceitem ou façam uso deste tipo de relacionamento, logo perdem a credibilidade e o respeito dos subordinados, e logo fica mal falado na “praça”. Dificilmente a politicagem dura muito tempo e quem faz uso dela sai inteiro.

Quem faz-se uso da politicagem para galgar novos patamares na carreira assina-se o atestado de incompetência, e não dura muito. É muito melhor confiar na competência para crescer profissionalmente e não ficar refém de esquemas de pessoas pouco confiáveis. E se você trabalha em uma empresa assim, faça como o meu amigo do depoimento acima, mude, arrume outro emprego. Não vale a pena se consumir em uma empresa assim!

Para os gestores é importante não deixar que um cenário assim cresça e se desenvolva na empresa, pois os colaboradores verão isso e a equipe perderá rendimento, além de valiosos talentos saírem da empresa. Investir em processos seletivos coerentes, promover os mais capacitados, não deixar que haja privilégios por afinidade, são medidas eficazes contra a politicagem.

A política deve ser valorizada, a capacidade de motivar as pessoas, encontrar caminhos para resolução de conflitos, articular tomadas de decisão que beneficiem todos os envolvidos, é extremamente válido, mas a politicagem é um mal que deve ser combatido. Fazer política com ética é benéfico para qualquer organização, principalmente para o colaborador. E é esse aspecto que deve nortear o ambiente de uma empresa e não o contrário!

7 Dicas para para melhorar sua chance de crescer na empresa

1 – Entenda que a política não é sinônimo de politicagem, e que fazer política não o tornará mau-caráter;

2 – Pense no seu sonho de carreira e em como pretende chegar lá. Se for ao topo, a política vai ser fundamental;

3 – Observe o ambiente, perceba quais são os grupos de poder e como pode trafegar entre eles;

4 – Construa uma rede de relacionamentos. Seus contatos ajudarão a evitar a ação dos ratos;

5 – Não tenha vergonha de divulgar seus sucessos e exaltar sua equipe. Se você não fizer isso, ninguém fará;

6 – Ao reconhecer um rato, tome alguns cuidados. Só fale com ele por e-mail, de preferência com cópia para alguém;

7 – Se o rato for seu chefe, a saída recomendada é tentar, sutilmente, conseguir uma transferência.

Referências: Exame e Indústria Hoje.

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