Essa é a minha opinião!

opiniao

Essa semana ao entrar no Facebook me deparo com duas situações que me motivaram a escrever esse post. O primeiro afirmava que os termos “machismo” e “feminismo” eram iguais e o segundo abordava a polêmica envolvendo a apresentadora Patrícia Abravanel e declarações sobre a questão da homossexualidade. A semelhança entre os dois: Em parte dos debates, após serem expostas à argumentos embasados, muitos usaram a frase: “mas essa é a minha opinião”. O problema não é ter opinião, o problema é quando esta é superficial, sem embasamento e carregada de preconceito.

No momento que a internet permitem que todos falem, permite que um grande número de imbecis falem.

Umberto Eco – Escritor e filósofo

Em tais debates fica muito claro a superficialidade sobre o assunto. Todos querem fazer valer o seu ponto de vista, todos têm opinião sobre tudo, mas falta conhecimento sobre o tema, capacidade de argumentação e respeito.

Vivemos um período como nunca aconteceu na história da humanidade. Temos mais acesso à informação e ao conhecimento nos últimos 10 anos do que somados todos os outros anos anteriores. Mas por que tanta ignorância ainda impera na rede? Por que tanto preconceito e tanta demagogia?

fev2014---o-municipio-de-novo-repartimento-no-sudeste-do-para-assinou-termo-de-ajustamento-de-conduta-tac-com-o-ministerio-publico-federal-mpf-que-preve-a-adocao-de-uma-serie-de-medidas-emergenciais-1399298687945_615x470A verdade é que ainda vivemos em um país onde a educação é precária, e que apesar do lento crescimento nos índices de que mensuram a qualidade da educação, ainda estamos longe de um nível razoável. Como uma educação precária em disciplinas básicas como matemática e línguas, não se pode esperar muito em termos de abstração e argumentação. A verdade é que o sistema educacional nacional não instiga o aluno ao raciocínio, não há debate de ideias e quando há uma tentativa de abertura para a discussão de temas considerados tabus, setores conservadores da sociedade não deixam tais debates avançarem. Há também a questão ideológica da educação que pouco abre espaço para quem pensa diferente, diminuindo possibilidades de avanço em algumas discussões.

Temos também o aspecto é o cultural (que não deixa de está intrinsecamente ligado à educação). A maioria dos brasileiros não possuem o hábito de ler, aliás temos uma das menores médias de livros lidos por ano do mundo(2 livro/ano segundo ), isso é muito pouco para uma pátria que está entre as maiores economias do mundo e tem papel de protagonismo na região. Perdemos até para os nossos vizinhos Chile e Argentina. Os livros, ao contrário de revistas e jornais, se aprofunda em determinados temas, aumenta a capacidade de argumentação e repertório.

Como dito acima somos péssimos leitores, mas ótimo telespectadores. Sim, a televisão também contribui para a ignorância nacional .Não, eu não sou um esquerdopata que coloca toda a culpa dos males nacionais nas costas da rede Globo, mas a verdade é que a programação da TV aberta é direcionada para o entretenimento, para as notícias (curtas e pouco aprofundadas) e para o sensacionalismo sangrento das tardes. Há pouquíssimos programas de documentários, debates ou que discutem temas considerados tabus, e os que existem passam em horários de pouca visibilidade. Claro que as emissoras estão interessadas em audiência e não em educar o povo, mas elas são concessões, é bom nunca esquecermos disso.

Outro aspecto desfavorável da nossa cultura é a polarização das coisas, as vezes chega ao extremismo. Lógico que tal característica existem em outros países, inclusive em países como Suécia e Alemanha, mas aqui chega a ser preocupante. Muitas vezes deixamos de analisar outros aspectos de um determinado tema pelo simples fato de ir contra nossas paixões ou motivações ideológicas. O nosso ponto de vista é sempre o certo e não importa argumentos, fatos ou provas que mostrem o contrário. É o que eu chamo de futebolização de tudo (nos comportamos como torcedores, e o que vale é o time do coração ganhar).

Mas de todos os aspectos, os mais preocupantes são a falta de respeito e a incapacidade de conviver com a diferença de pensamentos. Não é difícil de ver nas redes sociais pessoas xingando uns aos outros. Um aspecto interessante que observo é que muitos na incapacidade de utilizar argumentos convincentes partem para o ataque pessoal, algo muito utilizado pelos nossos políticos (os políticos são ou não reflexo da nossa sociedade?). O pior é quando se parte para agressão física ou atos hostis, como os vistos ultimamente

odio_pcOpinião não é sinônimo de ignorância ou preconceito. Se aprofundar em um assunto leva tempo, mas é benéfico, observar diversos pontos de vista também. Se você está neste ciclo vicioso, considere a chance de sair dele. Você não acabará com as opiniões sem fundamento, mas será um imbecil a menos. Opinião tem que ter fundamento, ter base em dados, fatos e pesquisas e não no puro achismo.

Ainda estamos longe de um país instruído e onde se debata ideias e projetos. Sim, parte da responsabilidade é do Estado, mas cabe a nós começarmos a mudança.

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Publicado em comportamento, Mundo

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