Chegou no Pará, parou!

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Obs: Este artigo faz uma crítica à alguns aspectos do comportamento dos belenenses.

Recentemente um site de notícia do estado publicou duas matérias: Uma falava de uma Lei que visa tornar preferencial todos os assentos dos ônibus da cidade e a outra matéria era sobre um indivíduo que foi preso após ser flagrado furtando energia elétrica. O que me espantou em ambas foram os comentários das páginas. Vamos dividir por partes para entender melhor.

1 – Lei dos assentos prioritários em ônibus

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Cena comum nos coletivos de Belém

A primeira matéria que citei fala de um projeto de lei de autoria do vereador Fernando Carneiro (PSOL). Ela estabelece que todos os assentos dos ônibus da cidade sejam obrigatoriamente preferenciais para idosos, obesos, gestantes, deficientes e pessoas com criança de colo. Em uma enquete do site a maioria, aproximadamente 80% dos votantes eram contra o projeto, um número bastante expressivo. Isso mostra o nível de consciência coletiva do belenense, ou seja, uma lei que serve para dá maiores condições de locomoção para quem possui necessidades específicas, sejam elas temporárias ou permanentes, foi amplamente rechaçada pela população. Entre os argumentos contrários a lei (quase nenhum convincente diga-se de passagem) destacam-se o privilégio a esse grupo específico (sim, usaram o termo privilégio) e o desconforto para os demais passageiros.

É óbvio que é necessário fortes investimentos e uma grande restruturação no transporte público urbano de Belém, porém a lei é válida e inclusive já foi adotada em grandes centros urbanos, como Manaus e Foz do Iguaçu. O transporte coletivo de Belém é precário, ônibus velhos e muitas vezes lotados, motorista que não para no ponto, constantes assaltos e sujeira, e até por isso a lei é necessária. Não seria necessária tal lei se o povo soubesse o que é cidadania e espírito de coletividade, mas estes aspectos passam longe dos moradores de Belém e região.

2 – Homem é preso após ser flagrado furtando energia elétrica

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Gato = Perigos para a população

A outra informa um indivíduo que foi preso após ser flagrado pela polícia furtando energia, segundo a notícia o mesmo foi alvo de denúncia. Neste caso a maioria das pessoas que comentaram no post se mostravam indignados com a atitude do poder público e do vizinho que fez a denúncia. É isso mesmo, centenas de pessoas ficaram indignada com o poder público por ter feito o trabalho que se espera dele. Entre os argumentos da indignação está a questão do alto custo da tarifa elétrica, faturamentos incorretos e o péssimo serviço da distribuidora. De fato, no Pará pagamos uma tarifa muito alta e o serviço deixa muito a desejar, mas um erro não justifica o outro. Para assegurar o direito dos cidadãos existe a ANEEL, Procon e Ministério Público e onde houver irregularidades por parte da distribuidora, ela responderá.

O que essas pessoas não estão levando em consideração são os riscos e problemas gerados pelo furto de energia. Primeiro o Estado deixa de arrecadar impostos, e muito. A perda com desvios e fraudes gira em torno de 1/3, aproximadamente, de toda a energia distribuída. O que coloca o estado entre os primeiros do ranking de desvio de energia. Imagina quantos bilhões de reais isso não significa? E não se engane, parte do prejuízo é repassado ao consumidor. E engana-se que só a população de baixa renda comete esse tipo de infração. Muitas irregularidades são praticadas por clientes que moram em bairros nobres, condomínios de luxo e até grandes comércios.

Além do prejuízo na arrecadação há os riscos materiais e de acidentes. Instabilidades na rede causadas pelos “gatos” pode danificar os equipamentos e eletrodomésticos dos outros consumidores, incêndios e acidentes graves.

Resumo da ópera

Mas por que ir contra um projeto que beneficia quem precisa e se indignar com a prisão de alguém que cometeu um crime? Porque o paraense, e mais especificamente o belenense (não generalizando), não possui espírito de coletividade, é forte adepto do jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo e não tem senso de compromisso. E essa são duras críticas de um cara que sempre defende o estado e o vende aos outros, e isso que mais dói. Lógico que a resposta não é tão simplista e existem vários outros fatores como baixa escolaridade, cultura, pobreza e etc, mas é interessante notar que estes desvios são praticados por pessoas de vários segmentos da população, até aqueles com posses e instrução.

E esse são apenas dois exemplos, nem citei o problema com o lixo, com o barulho, bebedeiras, violência das torcidas organizadas e etc. Há muito o que se corrigir.

Hora da virada

Está mais do que na hora do belenense ver o seu potencial. Temos uma cidade linda (ainda que maltratada), uma culinária magnífica e atualmente aclamada, uma cultura riquíssima, e etc. Está na hora de poder público, empresariado e a população se unirem para transformar Belém e lhe dá o protagonismo que a cidade merece. Mas para isso precisa-se mudar a mentalidade das pessoas e não vai ser o estado que vai fazer essa transformação, deve partir de cada um de nós paraenses, devemos ter consciência.

A capital do Pará não pode parar!

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Publicado em comportamento, Mundo

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