Idolatria causa cegueira

O Ministério do Bom Senso adverte: Idolatria causa distorção da realidade.

Fans react as U.S. singer Mayer performs at the Rock in Rio Music Festival in Rio de Janeiro

Observação: Antes que eu me esqueça, este não é um post de teor religioso, mas se propõe a analisar o fenômeno social.

Resolvi abordar esse assunto depois da forte repercussão do caso da Bel Pesce e Izzy Nobre. Eu havia escrito um texto falando da idolatria de alguns fãs da Bel Pesce, mas resolvi apagar e criar um texto mais amplo sobre a questão e eis que aqui está.

Um dos fatores que mais me chamou atenção na história foi a veemência com que os fãs da empresária a defendiam. Mesmo diante de fortes evidências que colocavam em cheque a história da menina do vale, eles preferiam afirmar que tudo se tratava de inveja das pessoas que não gostavam do trabalho da sua ídolo. O caso em si serviu para evidenciar, no mínimo duas situações claras: 1 – Como nós, muitas vezes, aceitamos passivamente o que é nos dito, sem fazer uma investigação prévia que mostre a credibilidade de algo. 2 – Como construímos ídolos para nos servir como referência, e como não estamos preparados para encarar certas verdades inconvenientes a respeito das falhas desses ídolos.

O caso em questão foi citado por ser um caso relativamente recente, mas são inúmeros os exemplos. Desde o seu amigo comunista que não aceita que o mito Che Guevara foi um sanguinário senhor da guerra, aos fiéis fanáticos que acham que líderes religiosos como Edir Macedo, Silas Malafaia e o próprio Papa são infalíveis. Na política, volta e meia aparece um salvador da pátria, alguém infalível e acima de qualquer suspeita, até que um esquema de corrupção é descoberto e lá se vai aquela áurea de pureza.

Quando se atribui tanta importância assim à alguém, corre-se o risco de achar justificativa para todas as ações, mesmo as mais hediondas, do ídolo. Com muito carisma e um discurso radical que Hitler cegou toda uma nação (até partes mais instruídas da sofisticada sociedade alemã aderiram ao nazismo). Hoje vemos uma legião de fanáticos se regojizando com os discursos inflamados, porém vazios de um Donald Trump. Aliás, já notaram quanta semelhança nos discursos de Trump e de Hitler? Pois é, isso dá medo.

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Hitler e Trump possuem tantas semelhanças em seu discurso que dá medo.

Aqui no Brasil muitos daqueles que atacam a militância do PT pelo seu fanatismo a favor de Lula, construíram um mito sob a figura de Jair Bolsonaro, ou melhor Bolsomito. Não adianta mostrar por A + B que determinada ideia ou declaração deste ou daquela pessoa foi infeliz, se esta esta no hall dos “ídolos” tudo será justificado, na maioria das vezes com justificativas toscas e sem fundamento.

Ter uma pessoa que nos inspire não é algo negativo, pelo contrário, pode servir como referência, como um guia por um caminho a ser trilhado. No entanto é preciso coerência, saber que todo ser humano é falível e não adianta, uma hora ele cometerá um erro, e nessa hora você precisa ser bastante crítico e reconhecer que o seu ídolo errou. Ter uma referência não quer dizer que você deve concordar com todas as ideias daquela pessoa, que você não deve questionar as suas colocações, que você deve aceitar tudo passivamente. Lembre-se que um ídolo, por mais fantástico e inspirador que ele seja, ele é apenas um ser humano, com sua virtudes, mas também com os seus defeitos, e que muitas vezes aquele ser iluminado que te inspira é mais um ideia do que algo concreto. Saiba absorver o que há de benéfico e excluir o que há de negativo. E acima de tudo, seja um ser pensante e não apenas uma cópia de alguém.

Até o próximo post!

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